31 mai, 2009

A Pena de Morte

Voltando às farpas à direita, que comecei na sexta (tá, Sette Câmara é muito melhor nisso do que eu, mas vamos tentar): poucas vezes vi tanto cretinismo quanto neste artigo do Marcelo Andrade. Vale dizer que há uma ou duas declarações sensatas lá? Não gosto de dizer isso não, porque passa a impressão que sou fã do morde-assopra típico dos brasileiros, mas vá lá: há uma ou duas declarações sensatas lá. Não salvam o conjunto.

1ª objeção: Não pode haver pena de morte porque podem acontecer erros e acabar-se matando inocentes.
Resposta: Segundo esse argumento, tudo o que contém algum risco de erro é ilegítimo. Se esse argumento procedesse, deveriam ser proibidos o avião e o automóvel, porque acontecem vários acidentes por ano e muitos inocentes morrem. « Abusus non tollit usum » (o abuso não tolhe o uso), é uma máxima do Direito absolutamente verdadeira. Caso contrário, a vida em sociedade seria impossível.

É claro que tudo o que fazemos na vida tem risco de erro! Mas nem todo erro tem risco de morte! Podemos usar aviões e carros (quem chama carro de automóvel já está passando atestado de cretino, para começar) sem matar ninguém, mas não podemos aplicar a pena de morte sem matar ninguém. O mundo moderno precisa de aviões e de carros. Precisa executar criminosos?

Mas o pior contra Marcelo Andrade é que não há risco nenhum contra inocentes, se a pena de morte for aplicada: o que há é certeza absoluta que inocentes morrerão. Os defensores da pena de morte quase sempre (pelo menos, sempre que me dei ao trabalho de prestar atenção) imaginam um judiciário ideal. Não o judiciário que temos. E que está cheio de corruptos e incompetentes. Cheio de fanáticos politicos, Nicolaus ou simples idiotas.

O melhor argumento que conheço contra a pena de morte é ir até uma vara da Justiça do Trabalho e pensar: « esse pessoal é que vai condenar os outros à morte, se a pena de morte for aplicada no Brasil ». Dar a um juiz brasileiro poder de condenar um reu à morte é como dar a um aluno cheio de notas vermelhas poder para contratar e demitir os professores do colégio.

Não vale a pena atacar todo o artigo do Marcelo Andrade (como eu disse, há uma ou duas coisas sensatas entre várias tolices, basta ler), só o final: O nosso triste mundo do século XX, porém, preserva o lobo e mata as ovelhas. Certo. E o triste mundo que o Marcelo Andrade quer criar vai botar toga no lobo e condenar as ovelhas à morte. E, como diria Bakunin, quem duvida disso não conhece a natureza humana.

 

29 mai, 2009

As três alternativas

Classé dans : Blogs — jorgenobre @ 19:28

Quem não é burro nem doido pode fazer três coisas com este post do Julio Severo: Zoar, xingar ou ignorar.

24 mai, 2009

Rumo ao terceiro mandato!

Se FHC conseguiu mais um, FDP também pode, não?

O povo é brasileiro e esse congresso, todos sabem, está a venda. (Como Roma na decadência de sua república – mas ao menos a República Romana teve seus dias de grandeza, mesmo com uma oligarquia extraordinariamente corrupta. No fundo, o que mais me magoa na  nossa canalha não é nem a falta de vergonha, é a mesquinharia) Alguém tem dúvida que o FDP vai conseguir o terceiro mandato?

20 mai, 2009

Townhall.com

Aqui, o Patrício Buchada mostra porque não há solução no Oriente « Mérdio ». E aqui, o Negão mostra como as imagens ajudam a transformar a política num show e como esse show é ruim para os EUA (o Negão não diz, mas digo eu que se é ruim para os EUA, então é ruim para todo o mundo, por extensão).

15 mai, 2009

Un devoir de mémoire

O Protesto na Praça da Paz Celestial (Tian’anmen) em 1989, mais conhecido como Massacre da Praça da Paz Celestial, ou ainda Massacre de 4 de Junho consistiu em uma série de manifestações lideradas por estudantes na República Popular da China, que ocorreram entre os dias 15 de abril e 4 de junho de 1989. O protesto recebeu o nome do lugar em que o Exército Popular de Libertação suprimiu a mobilização: a praça Tiananmen, em Pequim, capital do país. Os manifestantes (em torno de cem mil) eram oriundos de diferentes grupos, desde intelectuais que acreditavam que o governo do Partido Comunista era demasiado repressivo e corrupto, a trabalhadores da cidade, que acreditavam que as reformas econômicas na China haviam sido lentas e que a inflação e o desemprego estavam dificultando suas vidas. O acontecimento que iniciou os protestos foi o falecimento de Hu Yaobang. Os protestos consistiam em marchas (caminhadas) pacíficas nas ruas de Pequim.

Mais, aqui.

Agora, passo a parole a Guy Sorman:

Le massacre de Tien Anamen: un devoir de mémoire.

Le 3 juin à 19h à Paris , à l’initiative de Marie Holzman, sinologue et humaniste  , les amis de la Chine , la vraie , seront esplanade du Trocadéro à Paris , pour se souvenir de la révolte démocratique de 1989  à Pékin et de sa répression par l’armée Chinoise , à la demande de Deng Xiaoping . Aujourd’hui encore , il est interdit de mentionner ce massacre en Chine pour une raison évidente : le Président Chinois actuel  Hu Jintao et son Premier ministre Wen Jiabao furent , à l’époque , tous deux complices de la répression . 

S’il subsistait le moindre doute sur qui a ordonné le massacre et qui fut complice , il est levé cette semaine par la publication des mémoires posthumes de Zhao Ziyang , secrétaire général du PC chinois à l’époque . Zhao qui voulait négocier avec les étudiants -et qui fut le véritable instigateur des réformes économiques  libérales – fut évincé par la bande de Deng  . La notion même de négociation démocratique échappait à Deng comme à ses disciples , toujours au pouvoir.

On ne sait toujours pas ce qu’il est advenu des victimes : nombre de corps ont été emportés par les militaires , privant les familles de mémoire et interdisant le deuil. Pour qui connait un peu la Chine , sachons qu’en silence , le peuple se souviendra . Aussi longtemps que le Parti communiste n’avouera pas ce crime, le régime ne sera pas légitime et la Chine ne sera pas un Etat normal.

Sans aucun doute ,Bernard Kouchner , nous rejoindra-t-il au Trocadéro.

14 mai, 2009

O Democrático Direito de Protestar

Uma bebê, que completa 1 ano nesta sexta-feira (15), estava internada na manhã desta quinta (14) no Hospital Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, com traumatismo craniano. Ela se machucou depois de ter sido jogada pela janela de um ônibus por manifestantes que invadiram e atearam fogo no veículo. A menina foi vítima de agressores que protestavam na Favela do Tiquatira na noite da quarta (13).  A manifestação ocorreu após a prisão de suspeitos de portarem drogas, informou a Polícia Militar.

Aí, algum governo tem um acesso de lucidez e manda a policia tratar a canalha como merece e os progressistas acham isso ruim

6 mai, 2009

Um verdadeiro gênio fala do falso

Classé dans : O vilosofo idiota e seus burros seguidores — jorgenobre @ 23:25

The Jewish pattern of history, past and future, is such as to make a powerful appeal to the oppressed and unfortunate at all times. Saint Augustine adapted this pattern to Christianity, Marx to Socialism. To understand Marx psychologically, one should use the following dictionary:

Yahweh=Dialectical Materialism

The Messiah= Marx

The Elect=The Proletariat

The Church=The Communist Party

The Second Coming=The Revolution

Hell=Punishment of the Capitalists

The Millennium=The Communist Commonwealth

The terms on the left give the emotional content of the terms on the right, and it is this emotional content, familiar to those who have had a Christian or a Jewish upbringing, that makes Marx’s eschatology credible. A similar dictionary could be made for the Nazis, but their conceptions are more purely Old Testament and less Christian than those of Marx, and their Messiah is more analagous to the Maccabees than to Christ.

(…)

Marx fitted his philosophy of history into a mould suggested by Hegelian dialectic, but in fact there was only one triad that concerned him: feudalism, represented by the landowner; capitalism, represented by the industrial employer; and Socialism, represented by the wageearner. Hegel thought of nations as the vehicles of dialectic movement; Marx substituted classes. He disclaimed always all ethical or humanitarian reasons for preferring Socialism or taking the side of the wageearner; he maintained, not that this side was ethically better, but that it was the side taken by the dialectic in its wholly determnistic movement. He might have said that he did not advocate Socialism, but only prophesied it. This, however, would not have been wholly true. He undoubtedly believed every dialectical movement to be, in some impersonal sense, a progress, and he certainly held that Socialism, once established, would minister to human happiness more than either feudalism or capitalism have done. These beliefs, though they must have controlled his life, remained largely in the background so far as his writings are concerned. Occasionally, however, he abandons calm prophecy for vigorous exhortation to rebellion, and the emotional basis of his ostensibly scientific prognostications is implicit in all he wrote.

Esses são trechos sobre Karl Marx e seus burros seguidores, em « The History of Western Philosophy », de Bertrand Russell. Talvez eu traduza e publique o ensaio de Russell sobre Marx. (Devo avisar que eu também citei trechos do ensaio sobre Santo Agostinho, onde Marx é criticado de passagem).

Duro de entender é como tanta gente que não é comunista respeita o pensamento de Marx. O cara era um ideologo, um panfletário, um polemista de algum talento, vá lá, mas nunca um filosofo sério. Ele mesmo disse que o essencial era mudar o mundo, não tentar entendê-lo. Ele se via como um lider em potencial de uma revolução sanguinária, e a filosofia, para ele, não tinha valor nenhum, a não ser para ajudá-lo nisso.

Aliás, acho dificil encontrar uma história da filosofia anterior a 1917 que dedique uma analise mais profunda ao pensamento de Marx. Ele deve seu prestígio ao sucesso político de seus seguidores. Sem isso, nunca teriamos ouvido falar nele. Nenhum historiador sério seguiria seus preceitos, nenhum estudante sério de filosofia analisaria sua obra. Se você conhecer alguma história da filosofia escrita antes de 1917 que leve Marx a sério, me avise. Porque eu não conheço nenhuma. Et, évidemment, não vale livros de esquerdistas.

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