( 14 novembre, 2008 )

Reforma Agrária: Dá para levar a sério?

Eu não levo a sério cinco assuntos: Reforma agrária, aquecimento global, racismo, a ONU e… o quinto eu levo tão pouco a sério que esqueci!

Por que não dá para levar a sério reforma agrária? Porque os idiotas acham que ter terra para plantar e viver disso é bom para o roceiro, quando não é! É uma merda!

Sabem como é a vida de um lavrador? O cara mora no meio do mato, tem que levantar cedo para trabalhar duro, só lucra o que sobrar depois que ele come, tem que viver perto dos bichos (galinhas, vacas, éguas, sem contar as mulheres da família…) por causa dos ladrões, não há escola perto dele, e nem delegacia, nem hospital, nem ninguém para ajudar por perto. Se tiver um problema, fodeu!

Quem mora numa favela e se vira como trabalhador não especializado está muito melhor do que o lavrador dono da terra onde planta. São duas vidas de merda, mas fede menos na favela que no mato.

Sabe o que está defendendo quem defende a reforma agrária? Está defendendo que o roceiro seja um fodido pelo resto da vida! Se o roceiro largar a roça para morar na favela, ele terá muitos problemas, sim, mas poderá se especializar em algum ofício e melhorar de vida. E no mato, plantando o que come? O que pode acontecer é ele ser um lavrador e nada mais além de lavrador, a vida inteira. E o que é um lavrador? É um fodido que vive na merda! E reforma agrária é o que? É dá terra para o fodido viver como fodido pelo resto da vida!

Seria muito mais razoável para esquerdistas, e certos “liberais”, defendessem (se é problema do Estado) que o Estado treine e dê cursos para o cara aprender alguma profissão além da de lavrador. Para largar de ser roceiro. Ser roceiro é ser fodido. Se o filho da puta defensor da reforma agrária quisesse mesmo o bem dos roceiros fodidos, lutaria pelo fim da categoria profissional dos roceiros fodidos (vulgo lavradores) e para os desgraçados que trabalham na terra uma profissão mais decente, o que não seria nem um pouco difícil de encontrar.

O problema é que os idiotas de sempre não falam do homem real.  Não conhecem o homem real. Eles falam de um “idealizado”. Eles imaginam que o mané lavrador é o homem puro de Rousseau ou qualquer porcaria dessas. Eles acham que a vida no campo tem tudo para ser um idílio, um poema de Byron ou de Goethe, ou um conto de Tolstoi com final feliz, uma vida de pureza e abundancia, e não é por causa do capitalimo…

Ah, se não fosse o maldito capitalismo! Os roceiros estariam como no Éden, com o cu de fora feitos Adão e Eva, vivendo da terra sempre mãe e sempre virgem… Esquerdista acha isso!

E isso que os idiotas acham não tem nada a ver com o mundo real. No mundo real, ser lavrador é a maior merda.

Quantos progressistas estarão dispostos a trocar seus empregos de advogados, jornalistas, professores ou marajás do serviço público para ser um lavrador dono de um pedacinho de chão e plantar para ter o que comer? NENHUM! Então, não queiram que os outros levem a vida que vocês não querem para vocês mesmo, por favor! Os lavradores achariam ótimo trocar a vida de lavrador pela de marajá do serviço público! Eles achariam ótimo receber do Estado instrução para serem marajás do serviço público!

E que não me venham dizer que os lavradores não tem capacidade para serem advogados, jornalistas, professores ou marajás do serviço público. Se um progressista pode, então qualquer um pode. Roceiro também pode.

5 Commentaires à “ Reforma Agrária: Dá para levar a sério? ” »

  1. Fabio
    Fabio a dit:

    Tangenciando o assunto, você já ouviu falar em terra produtiva oriunda de “reforma agrária”? Ou do MST?
    Eles (governo, “movimentos sociais”, etc.) deviam ter a obrigação de publicar a produtividade dessas terras. Tipo, “safra de 2006/07: meia saca de feijão fradinho e um pepino caipira.” Qualquer coisa me satisfaria.

    hahaha… Mostrar resultados? Isso, eles nunca farão. Revolucionário tem disso: eles não acham que precisem mostrar resultados agora, só num futuro que nunca chegará… Abraços, Jorge Nobre.

  2. novos capitalistas
    novos capitalistas a dit:

    Por isso que a solução é fazer o que Louis O. Kelso propôs. Fazer de todos os sem-terra (e sem-capital) acionistas do grande agronegócio realmente produtivo –entre outros representantes do setor produtivo de ponta–, e pagar 100% de dividendos, não os atuais meros 25%.

    Acho que o MST não vai topar. Sabe como é, não dá para invadir uma ação na bolsa…. Abraços,

    Jorge Nobre

  3. Fábio V. Barreto
    Fábio V. Barreto a dit:

    Incentivar a agricultura de subsistência em pleno século XXI é burrice grossa.

  4. novos capitalistas
    novos capitalistas a dit:

    Pois é, Fábio. Deve-se fazer os sem-terra e sem-capital participar da melhor agricultura que se faz hoje, como proprietários. Que se dissemine a propriedade do atual e futuro grande capital agricultor do país pela parcela da população hoje sem nenhum ativo gerador de riqueza (capital), e que se respeite os direitos de propriedade dos novos e antigos acionistas (hoje não respeitados), passando a dar ao acionista retorno de 100%, no caso de corporações maduras, não os atuais meros 25%.

    Convido vocês a conhecerem as propostas de Mortimer Adler e Louis Kelso no site http://kelsoinstitute.org . Depois, se quiserem, podem entrar em contato comigo no meu blog ou no meu canal no YouTube, http://youtube.com/novoscapitalistas . Um abraço.

    Agradeço ao convite, Novos Capitalistas. Espero que não se importem se eu demorar um tanto, devido à falta de tempo. Mas irei, certamente.

    Abraços,
    Jorge Nobre

  5. Alexandre
    Alexandre a dit:

    A vida no campo no Brasil seria melhor do que uma vida na favela se nucleos urbanos medios e pequenos que desenvolveram uma agricultura competitiva e todas suas derivações ( pesquisa, biocombustiveis, tudos os produtos que advem do conhecimento cientifico nessa area) tivessem perto de si zonas rurais. Nessas zonas rurais viveriam trabalhadores ( um vendedor de carros, uma moça que trabaçha no comercio do pequeno ou medio nucleo urbano etc etc) e até uns poucos die-hard roceiros. Isso seria uma melhora substancial na qualidade de vida de pessoas desse perfil, viveriam bem melhor ali, seria bem melhor ter filhos estudando num ambiente desses, do que numa favela.
    A peça chave entretanto que torna isso possivel é a riqueza produzida pelas atividades já citadas. Ou seja quando um esquerdoziode pseudo-intelectual de buteco fica defendendo o modelo europeu, fica celebrando o Mst e tantas Ongs, algumas estrangeiras e que se segues a trilha do dinheiro ( quem a sustenta) da nos cofres da EU esta na verdade defedendo tudo que citei encima para o vagabundo subsidiado agricultor europeu e os nucleo medios e pequenos de la.
    Essa genta é tão ridicula, tão vendida, tão complexada e necesitada de uns tapinhas, de alguns carinhos do amigo antropologo frances, daquele cientista politica de esquerda alemão que conheceram na bahia durante a ultima ferias que não conseguem vislumbrar nada para o roceiro brasileiro do que isso. Ser um puro e nobre selvagem.

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