• Accueil
  • > Archives pour novembre 2008

28 novembre, 2008

Singelamente « atacado »…

Um ataque tão singelo, mas tão singelo, que a principio eu nem quis responder. Mas mudei de idéia, e aproveito para falar de mais algumas coisas.

”O que me motiva a levar a sério a questão agrária é, na verdade, a noção de que, se vícios não são crimes, tampouco é crime a burrice.” É, vicio e burrice com o dinheiro do viciado ou do burro não são crimes. Com dinheiro do Estado, perdão, dos pagadores de impostos, perdão de novo, dos trouxas, aí são crimes. (Se bem que a culpa maior é mesmo dos trouxas, que nem sabem que pagam impostos e acham que o dinheiro do governo não é de ninguém. Mas isso é outra história).

“Lavrador A – chamemos de Romeriano – quer viver das terras de seu pai que foram griladas há 70 anos? Nada mais justo. Romeriano pode, sim, querer as terras de volta. Terra grilada, afinal, é terra roubada, e não é o passar das gerações que descaracteriza o roubo. Além disso, Romeriano gosta da vida no campo, gosta de andar a cavalo, gosta de calejar as mãos com enxada. Se pudesse escolher qualquer tipo de vida, naturalmente, seria um fazendeiro milionário. Mas, dentre as opções que tem, escolheu essa. Entre « feder numa favela » e « feder no campo » ele prefere o campo – pelo menos o ribeirão não pára de correr, como pára a água da torneira toda semana.”

Oh là là! A mentalidade do Romeriano (puta merda, esse pessoal já gosta de dar nome escroto a seus filhos, o Gustavo ainda faz essa sugestão… Porque o lavrador A não pode ser João, simplesmente?), de gostar de calejar as mãos com enxada, é uma mentalidade que tem que ser combatida e não incentivada. Gostar de andar a cavalo (o que ha de errado com o verbo « cavalgar »?) ainda passa, mas… Cavalos custam dinheiro. E o dono da própria terra não poderá comprar assim, tão fácil. Não para sustentar um gosto.

E quanto à família do Romeriano ter sido roubada há setenta anos atrás, bem, como ela foi parar nas mãos do bisavô do Romeriano, em primeiro lugar? Roubaram dos índios, não foi? De uma tribo de índios, que por sua vez roubou de outra tribo de índios, que também deve ter roubado dos primeiros índios a andar pela América do Sul, 40 ou 50 mil anos atrás, alguma tribo hoje extinta… Se fomos por aí, com esse conceito de justiça, ninguém é dono de terra nenhuma no mundo.

« Um problema do texto do Jorge Nobre é que ele assume que todo mundo prefere ter assistência médica e dengue a não ter nenhum dos dois ». Foi bom lembrar isso: na cidade, temos a dengue e o SUS, que talvez seja pior que a dengue. No mato, temos dengue, tuberculose (não foi extinta e dá muito nos campos dos países pobres), verminoses várias, malária, etc. Quantos vírus existem em um singelo regato?

« Além disso, se a sugestão dele aos esquerdistas fosse levada a sério – se ele acha de fato mais racional que o governo treine todos os lavradores em alguma profissão -, as vantagens dessas profissões aos poucos sumiriam, já que o excesso de oferta suplantaria a demanda e empurraria os salários pra baixo. Aí adeus à casinha na favela: vai pra baixo do viaduto. » Não, não vai dar nisso não. Primeiro porque a população rural no Brasil é 19%, e nem todos esses 19% são lavradores. São quantos, os lavradores? 6 ou 7%? Isso não chegaria a provocar uma grande desvalorização em nenhuma profissão, não é? A não ser na hipótese impossível de todos esses 7% escolherem a mesma profissão. E segundo, eu falei do lavrador dono da própria terra. Os lavradores que trabalham para os latifundiários podem aproveitar a escassez de mão-de-obra no campo e lutarem por um bom salário, organizados em sindicatos. (Alias, esse direito, o de se organizarem em sindicatos, foram os liberais que ajudaram os trabalhadores a ganhar. O direito de livre associação é um dos pilares do liberalismo. Os esquerdistas, no começo, não eram muito fãs de trabalhadores sindicalizados. Karl Marx tinha alergia a sindicalistas. Mas isso também é outra história).

E é claro que « os lavradores não são advogados, jornalistas, professores ou marajás do serviço público ». E quem disse que esse pessoal nasceu sendo « advogados, jornalistas, professores ou marajás do serviço público »? Eles estudaram, se formaram e agora estão aí, enganando o povo e levando nosso dinheiro. O maior exemplo é o nosso grande presidente. Ele não nasceu sindicalista. Ele teve que migrar para São Paulo para melhorar de vida e aí virou sindicalista, como poderia ter virado professor universitário. E se houvesse reforma agrária no tempo dele? Hoje ele seria um lavrador pelos lados de Garanhuns e não teríamos PT nem nada! (Hey, acabo de descobrir sem querer um bom argumento para a Reforma Agrária!). Mas o caso é que ninguém nasce lavrador ou advogado. Mas alguns nascem com oportunidade para estudar e outros não. E outros, ainda, podem estudar com a ajuda do governo, ou por seu próprio esforço. Juscelino Kubitschekteve que trabalhar como telegrafista antes de se formar médico. Lincoln teve que ser lenhador antes de se formar como advogado. (JK e o desonesto Abe foram duas merdas, é verdade, mas isso é outra história ainda… Bah, depois conto tudo!).

Lá pelo final, e sempre singelamente, o ataque do Gustavo acaba e a critica, err, “construtiva” à reforma agrária começa. Mas como fazer Reforma Agrária sem “estatizar o assunto”? É impossível! (E nem falo do governo ter terras – alias, porque elas deveriam ser entregues antes aos sem-terra que aos índios?) O lavrador dono da terra em que trabalha nunca poderá concorrer com o latifúndio bem administrado. Nem razoavelmente administrado. Nem muito mal administrado. O lavrador dono da terra em que trabalha sempre terá ou prejuízo ou apenas o bastante para ter uma vida de merda. Na verdade, onde fizeram a reforma agrária, o pequeno lavrador só agüenta graças a subsídios e protecionismo. Foi assim na França, no Japão (que está deixando o protecionismo rural graças à crise demográfica entre os lavradores – parece que a vida de lavrador lá é tão ruim que ou não querem filhos ou os filhos preferem tentar outra coisa na vida), na Coreia do Sul, no México… Reforma agrária pra valer, no mundo todo, deu nisso: uma classe de pequenos lavradores que precisam de eterna assistência pública. Não foi por outra razão que FHC, que tanto fez pela reforma agrária, acabou chamando os sem-terra de “os funcionários públicos do campo”.

Se o singelo Gustavo leva a sério à reforma agrária, melhor faria em estudar a sério o assunto.

26 novembre, 2008

Classé dans : São Paulo clube querido — jorgenobre @ 20:08

 dans São Paulo clube querido sao-paulo-santo

25 novembre, 2008

Orkutando-me

Classé dans : Hommage à  DGR,Y asi pasan los dias... — jorgenobre @ 16:07

O que penso do Olavo está aqui, no final da página.

Aproveitem, vocês que têm Orkut, para votar em duas enquetes que criei lá.

22 novembre, 2008

É Universal!

Em Portugal, O Pasquim da Reação mete bronca:

Um Crime de Ódio

Ao passar pela Praça de Espanha, avistei um cartaz que ostentava « O Governo protege os banqueiros. E quem protege as pessoas? ». Uma frase muito elucidativa e que traz, juntamente com a desumanização dos banqueiros (o que se diria de uma frase semelhante que substituisse os « banqueiros » por os « judeus », « imigrantes » ou « homossexuais »), o velho discurso do ódio genocida que é timbre da extrema-esquerda à campanha política portuguesa.
É bastante claro que a utilização de uma oposição « pessoas-banqueiros » prefigura uma acção de intenções discriminatórias gravosas. É por isso imperativo exigir a retirada deste cartaz que possui matéria que viola todas as directivas europeias e leis portuguesas sobre não-discriminação.
Aguardamos a acção do vereador Sá Fernandes.

Deixem-me citar Sowell mais uma vez:

In a book titled « The College Admissions Mystique, » an admissions office official at Brown University is quoted as setting ideological litmus tests for applicants. An outstanding high school record would not be enough get admitted, because such records were seen as signs of people who had sold out to traditional ways of thinking — and who envisaged careers in establishment professions. He called such students « Reptilian. »

What the admissions official wanted were « with it » kids, socially and politically aware — « bellwethers » who « would have a following later on. » In other words, he did not want pillars of society but politically correct pied pipers who could head ideological movements.

In other words, diversity of viewpoints is not welcome. Diversity of physical appearance is the be-all and end-all, but diversity of thought is no more welcome than it has been under the Taliban in Afghanistan.

Moral da história: a raça humana não vive sem preconceitos. « Guerra contra os preconceitos » (tenho que por aspas!) é guerra de alguns preconceituosos contra outros. E é, também, um tipo de preconceito, mas somado à hipocrísia.

UPDATE

Outro exemplo, para quem tem orkut, aqui.

14 novembre, 2008

Reforma Agrária: Dá para levar a sério?

Eu não levo a sério cinco assuntos: Reforma agrária, aquecimento global, racismo, a ONU e… o quinto eu levo tão pouco a sério que esqueci!

Por que não dá para levar a sério reforma agrária? Porque os idiotas acham que ter terra para plantar e viver disso é bom para o roceiro, quando não é! É uma merda!

Sabem como é a vida de um lavrador? O cara mora no meio do mato, tem que levantar cedo para trabalhar duro, só lucra o que sobrar depois que ele come, tem que viver perto dos bichos (galinhas, vacas, éguas, sem contar as mulheres da família…) por causa dos ladrões, não há escola perto dele, e nem delegacia, nem hospital, nem ninguém para ajudar por perto. Se tiver um problema, fodeu!

Quem mora numa favela e se vira como trabalhador não especializado está muito melhor do que o lavrador dono da terra onde planta. São duas vidas de merda, mas fede menos na favela que no mato.

Sabe o que está defendendo quem defende a reforma agrária? Está defendendo que o roceiro seja um fodido pelo resto da vida! Se o roceiro largar a roça para morar na favela, ele terá muitos problemas, sim, mas poderá se especializar em algum ofício e melhorar de vida. E no mato, plantando o que come? O que pode acontecer é ele ser um lavrador e nada mais além de lavrador, a vida inteira. E o que é um lavrador? É um fodido que vive na merda! E reforma agrária é o que? É dá terra para o fodido viver como fodido pelo resto da vida!

Seria muito mais razoável para esquerdistas, e certos « liberais », defendessem (se é problema do Estado) que o Estado treine e dê cursos para o cara aprender alguma profissão além da de lavrador. Para largar de ser roceiro. Ser roceiro é ser fodido. Se o filho da puta defensor da reforma agrária quisesse mesmo o bem dos roceiros fodidos, lutaria pelo fim da categoria profissional dos roceiros fodidos (vulgo lavradores) e para os desgraçados que trabalham na terra uma profissão mais decente, o que não seria nem um pouco difícil de encontrar.

O problema é que os idiotas de sempre não falam do homem real.  Não conhecem o homem real. Eles falam de um « idealizado ». Eles imaginam que o mané lavrador é o homem puro de Rousseau ou qualquer porcaria dessas. Eles acham que a vida no campo tem tudo para ser um idílio, um poema de Byron ou de Goethe, ou um conto de Tolstoi com final feliz, uma vida de pureza e abundancia, e não é por causa do capitalimo…

Ah, se não fosse o maldito capitalismo! Os roceiros estariam como no Éden, com o cu de fora feitos Adão e Eva, vivendo da terra sempre mãe e sempre virgem… Esquerdista acha isso!

E isso que os idiotas acham não tem nada a ver com o mundo real. No mundo real, ser lavrador é a maior merda.

Quantos progressistas estarão dispostos a trocar seus empregos de advogados, jornalistas, professores ou marajás do serviço público para ser um lavrador dono de um pedacinho de chão e plantar para ter o que comer? NENHUM! Então, não queiram que os outros levem a vida que vocês não querem para vocês mesmo, por favor! Os lavradores achariam ótimo trocar a vida de lavrador pela de marajá do serviço público! Eles achariam ótimo receber do Estado instrução para serem marajás do serviço público!

E que não me venham dizer que os lavradores não tem capacidade para serem advogados, jornalistas, professores ou marajás do serviço público. Se um progressista pode, então qualquer um pode. Roceiro também pode.

13 novembre, 2008

A moeda internacional

 

A moeda internacional dans Blogs moeda%252B1%252Bcreu

 

Peguei aqui, através da Lilian.

9 novembre, 2008

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores…

Classé dans : Le moins imparfait de tous les mondes imparfaits — jorgenobre @ 5:28

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

7 novembre, 2008

O que eu espero do Mulatão?

- O que você espera de Obama?
- What do you mean? O que eu acho que Obama será, ou o que eu estou torcendo para que ele seja?
- As duas coisas.
- Bem, eu acho que ele será um Clinton piorado. Vocês, jovens demais para se lembrar (e quando estudam história estudam Hobsbawm, o que é pior do que não estudar nada) dos primeiros anos de Clinton, não sabem o quanto ele fez cagadas no começo. Foi merda atrás de merda, uma diarréia só! De tanta merda, ele conseguiu perder a maioria do congresso para os republicanos, depois de 50 anos de maioria democrata. Mas aí, ele resolveu maneirar nas merdas. Graças a isso, e a Ross Perot, ele foi reeleito em 1996. Mas sempre com os republicanos dominando o congresso. O Obama deverá ser um presidente assim. Mas, como ele tem uma militância entusiasmada e intolerante, muito mais entusiasmada e intolerante que Bill Clinton jamais teve, eu acho que isso vai atrapalhá-lo quando ele tentar não fazer tanta merda depois de certo tempo. O exemplo do Lula e da militância petista não serve. Nos EUA, se respeita mais a militância partidária do que aqui. É uma das conseqüências do voto não ser obrigatório: o militante vale seu peso em ouro, para os políticos. Além do mais, Obama pega os EUA e o mundo em piores condições do que Bill Clinton pegou. Por isso, eu acho que Obama será um Clinton piorado.
- E o que você gostaria que ele fosse?
- Eu gostaria que ele fosse um grande medíocre. Ainda mais medíocre do que Bush, ainda mais medíocre do que Carter. E que tivesse medo de quaisquer tipos de aventuras. Seja em economia, seja em política externa. Romper com a esquerda dos democratas não dá, infelizmente. Mas ele poderia alegar que a economia está ruim, que o mundo está ruim (e nem seria mentira) e que se deve governar com prudência. E assim seriamos poupados de aventuras na economia, em política externa, e os americanos ainda seriam poupados de aventuras nos sistemas de saúde e educacional… O melhor governo possível é sempre o mais medíocre.
- E como estará o mundo, depois de sua presidência?
- Eu não sei. Mas sei como o Obama ficará: ele vai assumir o papel do Carter como o ex-presidente crítico de seu país e seu povo. E assim, ganhará muito dinheiro honestamente (não considero a desonestidade intelectual, é claro) com livros, palestras, artigos, etc. Eu acho que ele não será um corrupto por esse motivo: não há necessidade. Administrando a marca Obama, ele está com a vida feita!

6 novembre, 2008

O vício homenageia a « virtude »

Tá lá no blog do André Saliva:

France Loves Us Again
So says Judah Grunstein:

Today, America is who France would like it to be, because on a historic level, Obama’s election represents all of our potential for change, progress and evolution that France finds so attractive. And I think that can be generalized for the world. The quarrels will come not on the level of history, however, but later, when history is brought back down to earth by the urgencies of politics.

This Iraq journalist is overjoyed, if still suspicious.

Eu fico pensando: Quantos franceses consideram os EUA superiores a seus países, por terem agora um presidente negro (mesmo sendo mulato)? Sim, porque a França, que eu saiba, não tem nem pretende ter um presidente argelino. Nem a Alemanha, um presidente turco. Nem a Inglaterra, um primeiro ministro hindu. (Diz o Olavão que logo os ingleses terão um rei muçulmano. Well, we’ll see… Será que branco de alma negra vale?)

Os europeus terão, se quiserem ser coerentes, que reconhecer que o fato de não terem tido até hoje um presidente não branco é uma falha deles e uma prova da superioridade da democracia americana, e que cabe aos próprios europeus corrigir essa deficiência, elegendo algum indiano, ou turco, ou argelino.

Duvido que farão isso, nessa geração, ao menos. Duvido que os europeus que aplaudem a vitória do Obama sequer pensem em fazer isso. A melhor Change é sempre a que acontece na terra dos outros.

5 novembre, 2008

Aí o Reinaldão diz que a vitória do mulatão nada tem a ver com a Guerra de Bush…

Não deve ter nada a ver com Bush ser o mais impopular presidente da história americana, também.

Que, por sua vez, sempre segundo o Reinaldão, nada tem a ver com a guerra de Bush.

Que é a do Iraque.

No caso do Afeganistão, seria impossível não fazer guerra. Qualquer presidente americano invadiria o Afeganistão, depois do 11 de Setembro. Mas teria sido possível não ter feito a guerra de Bush, a do Iraque, que é mais de Bush que de qualquer outra pessoa. Ele fez questão. Se ele não quisesse, não haveria a guerra.

Provavelmente, outro presidente também faria. Incluindo um democrata. Incluindo Obama. Mas isso não muda o fato que não havia necessidade e que Bush fez a guerra sem avaliar os riscos.

E quanto as consequencias, bem, uma delas foi a candidatura de Obama. E sua vitória final (o Reinaldão diz que não? Foda-se!). O Governo Obama, portanto, será consequência da guerra de Bush, assim como Lênin foi consequencia da guerra do Czar.

E o Reinaldão falando merda! « Acho que há uma evidência empírica de que a guerra do Iraque tem pouco peso na eleição: Bush, que era Bush — e não o “independente” McCain — foi reeleito quando a situação era realmente periclitante. Hoje, convenha, está sob controle — e, não por acaso, o tema sumiu da imprensa ».

Acho que há uma evidência empírica de que o Reinaldão precisa tapar melhor os buracos de sua cabeça…

Em 2004, a lembrança do 11 de Setembro ainda estava fresca na cabeça dos americanos, a guerra tinha começado no ano anterior e igualmente fresca estava a vitória sensacional dos americanos sobre o exercito regular do Iraque (os terroristas são outra história), Saddam tinha acabado de ser capturado, John Kerry era o adversário de Bush e ele também tinha apoiado a guerra e eleições eram esperadas e tidas como a solução do Iraque, o primeiro passo para uma retirada de cabeça erguida das tropas americanas: « Logo nossos (deles) rapazes voltarão com honras de herois da democracia para casa! », pensavam os americanos.

Em 2008, sabemos (os que querem se informar) que o « controle » não é tão seguro assim e se sabe com mais certeza ainda que eleições democráticas não resolverão o problema dos iraquianos não gostarem de democracia, as restrições e os abusos do Estado americano contra as liberdades de seus cidadãos impressionam o eleitor cada vez mais e o risco de um atentado cada vez menos, Obama não é Kerry e Obama (que não é uma Dove…) está muito menos comprometido com a guerra do que Kerry, e não se sabe quando os americanos irão parar de gastar dinheiro no Iraque, muito menos quando não será mais preciso arriscar a vida de nenhum soldado por lá.

O fato, portanto, é que em 2008 os americanos têm sentimentos diferentes em relação à guerra de Bush, sentimentos que, ao contrário do que diz o Reinaldão, pouco ou nada têm a ver com o desempenho militar em si. No trecho citado o Reinaldão quer reduzir o problema do Iraque a uma mera questão de desempenho militar, o que é desonestidade ou burrice.

Outros fatores influiram? Que tomem no cu esses outros fatores! Obama ganhou por 52 a 46%! Se 3,1% dos eleitores tivessem mudado seu voto, Obama teria perdido. Se uma parte dos indecisos ou indiferentes tivessem votado em McCain, Obama teria perdido. E se considerarmos apenas os eleitores de alguns estados, onde a diferença entre McCain e Obama foi bem menor que a média nacional (na Florida, na Indiana e na Carolina do Norte, por exemplo, a diferença foi de menos de um por cento!),  então menos ainda teria sido preciso para McCain ganhar. Outros fatores? Bush não precisava fazer a guerra no Iraque. Bush foi e está fazendo a guerra no Iraque. A guerra é impopular e Bush é impopular. Bush seria menos impopular sem a guerra no Iraque e os republicanos seriam menos impopulares sem a guerra no Iraque. A vitória de Obama foi por pouca diferença, e em estados importantes foi minima. Em alguns estados, praticamente houve um empate! É CLARO QUE A GUERRA DE BUSH ELEGEU OBAMA! DIGA O REINALDÃO O QUE QUISER!

O Obama vai fazer é muita merda. Mais do que o Reinaldão imagina. E, no futuro, analisaremos o tempo em que vivemos. Os dias de hoje, sabem? E chegaremos a seguinte conclusão: A guerra de Bush foi decisiva para Obama derrotar Hillary Clinton, a guerra de Bush foi decisiva para Obama derrotar McCain, a guerra de Bush não valeu a pena.

Eu não gostaria de ser confundido com cinco blogueiros que até acho inteligentes (na verdade, cinco blogs e seis blogueiros) que gostam de procurar desculpas para falar mal do Reinaldão, e pegam no pé dele por causa de questões menores como a marcha da maconha ou a tradução dos textos do Papa. Não vou dizer aqui quem são, nem linkar, porque apesar de tudo considero três deles meus amigos, acho dois deles até inteligentes, e admiro muito o sexto. Mas o caso é que eu discordo do Reinaldão, sim, e critico ele, sim. Por motivos realmente bons.

12

SAINT DENIS D'AVENIR |
Erratum |
Pascal-Eric LALMY |
Unblog.fr | Créer un blog | Annuaire | Signaler un abus | Association pour une Meille...
| NON A GILBERT ANNETTE
| Nantes Démocrate 2008